Túmulo de São francisco - Assis, Itália.
Mestre Isaías Honorato
MESTRE ISAÍAS HONORATO: Nos livros sobre Canindé, impossível não se reservar carinhosas páginas para que seja narrada a participação do Mestre Isaías Honorato, no que tange a nossa cultural, ou, digamos, o nosso folclore. Homem simples, humilde, mas, muito querido por todos os seus conterraneos de então. Fiel devoto de São Francisco, sua participação no hasteamento da bandeira e no arriamento da mesma tinha sentido de tradição. Era o Mestre Isaias Honorato o responsável pelo nó que atava a bandeira a corda do mastro. Nunca falhou. Falhou... Mas não falhou. Transcorria o ano de 1938. Madrugada de 24 de Setembro. A esposa do Mestre Isaias Honorato sofria as dores do parto justamente no momento em que se levantava a Bandeira sem a presença do Mestre Isaias Honorato. Naquele mesmo momento nascia seu filho Lourismar. Terminado o trabalho da velha parteira que "assistia" a parturiente, o bom Mestre Isaias rumou apressado para o patamar da suntuosa Basílica. Chegara atrasado. O relógio marcava exatamente 6:00 horas da manhã. O bom Mestre Isaias lançou o seu olhar rumo a bandeira que tremulava ao vento no pico do mastro. Ora... Haviam colocado a bandeira de "cabeça para baixo". Tiveram que arriar a mesma, e, o nosso bom Mestre manuseou o nó que só ele sabia atar com atenção. Um outro motivo para lembrarmos do Mestre Isaias nas madrugadas de 24 de Setembro. Ele confeccionava em casa enorme bombas, que eram jocosamente denominadas de "As Ronqueiras do Mestre Isaias" as quais eram soltadas minutos antes do hasteamento.
Mestre Isaias Honorato exercia a profissão de barbeiro, estabelecido ali na Praça Tomaz Barbosa. Era também confeccionador de tarrafas, profeta das chuvas, meisineiro das plantas medicinais, "cirurgião extraidor de sinais e verrugas", lia mão, leiloeiro preferido nos leilões do mes de Maio, munido de um estridente apito, e, ao arremate final gritava: "La vai chumbo violeta!". Vangloriava-se de ser repentista da poesia, e, no passado, quando rapazinho, fez parte do Grupo do "VIRA" comandado pelo poéta Clovis Pinto. Sobre o "VIRA' reservaremos páginas especiais. Impossível hoje, a quem viveu naquele tempo, ver passar o "Painel de São Francisco" e não recordar do nosso saudoso bom MESTRE ISAÍAS HONORATO. Triste saber que uma das ruas do bairro da Palestina em Canindé tem a denominação inexplicável de "Rua Beato Salu", figura fictícia e nojenta da Rêde Globo. Porque não substituir por "Rua Mestre Isaías Honorato"??? Com a palavra a nossa altaneira e respeitável Camara Municipal de Canindé.
Redação de Tonico Marreiro
(Que aceita adendos)
Maestro Josías Gondin
MAESTRO JOSIAS GONDIM: Musicista de muito talento, responsável por belíssimo arranjo, aproveitando a marcha marcial "San Lorenzo", de autoria do Maestro Pietro Pavalanni, musicou a letra do Hino Raia a Aurora, esta, imortal poesia do grande poéta CLOVIS PINTO. Josias Gondim é hoje denominação da antiga "Rua da Brecha" em Canindé.
Casa Marreiro atrai visitantes de Canindé
O estabelecimento comercial é um dos pontos turísticos do
município que mais atraem curiosos.
Fundada em 1937, no antigo mercado público de Canindé, hoje Praça Azul, a Casa Marreiro é atualmente um dos pontos turísticos do município devido às curiosidades ali existentes. O atual responsável pelo comércio, poeta Natan Marreiro, filho do fundador já falecido, Raimundo Marreiro, folclorista e comerciante, revela com orgulho os artigos expostos na loja. Romeiros de diversos locais do Nordeste já colocaram no roteiro turístico a Casa Marreiro, devido às novidades que lá encontram.
Segundo ele, Raimundo Marreiro era defensor da cultura do Ceará e sempre que podia promovia reisados, papangus, bumba-meu-boi do Ceará, além de corridas de jumentos. Realizava ainda pegas de cantadores e violeiros e testamentos de judas.
A Casa Marreiro, localizada na rua Joaquim Magalhães, no centro comercial de Canindé, tornou-se uma atração para os romeiros que visitam o santuário de São Francisco. Quem chega na cidade fica admirado com as inúmeras curiosidades existentes no local. São bainhas para foice, chifre, sapatos para cavalo, cadeado gigante feito de madeira, parafuso e revólver gigantes e outros objetos que deixam os visitantes surpresos.
Um detalhe que chama a atenção dos frequentadores da loja é a forma como Natan Marreiro atende os clientes: com poesia. Quem chega ao estabelecimento, procurando saber a origem dos produtos, Natan sempre responde à curiosidade. Há uma tradição das pessoas do sertão que quando encontram objetos interessantes dão de presente. Com o passar dos anos, seu pai foi acumulando os produtos estranhos, chamando assim a atenção dos visitantes.
Natan cita o exemplo de uma bucha de 1,6 metros, a maior do mundo, que está no ‘‘Guinness Book’’. Há ainda uma corrente de madeira sem emendas, um ninho de joão-de-barro em extinção e cachimbo da paz gigante. Em meio a essas explicações, surge a lembrança do radialista Tonico Marreiro, hoje na Rádio Vanguarda de Caridade, que conta que seu pai defendeu em verso um réu que conseguiu ser absolvido. ‘‘Foi uma grande festa, porque muitos acreditavam na condenação daquele homem’’, lembra Tonico.
Recentemente a Casa Marreiro recebeu destaque em Nova York, através de sua vaquejada volante, um dos pontos de grande atração por parte dos turistas. Para o empresário Assis Vidal, proprietário de uma lojinha, a Casa Marreiro representa hoje para Canindé o mesmo que o Museu de Luiz Gonzaga significa para Exu. ‘‘Aqui estar a parte viva do nosso folclore, e quem é amante das coisas do sertão tem uma admiração e um carinho muito grande pelo que representa o local em termos de atração’’, disse.
Outro nome identificado com a Casa Marreiro é o capitão de fragata da Marinha Mercante do Brasil, Arimatéia Bezerra, um amante do folclore. ‘‘Essa é a verdadeira casa do sertanejo’’, diz. Natan passa a maior parte do tempo com o cavaquinho, de preferência, tocando as músicas de Luiz Gonzaga. (Antônio Carlos Alves)
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Enterro Frei Matias de Ponterânica
FREI MATIAS DE PONTERÂNICA: Franciscano da Ordem dos Capuchinhos, considerado um dos maiores benfeitores de Canindé. Várias obras eternizam a sua laboriosa contribuição a nossa terra. Iniciou a reforma da antiga Matriz de São Francisco, com inicio em 1910, concluindo em 1915. Neste período de 5 anos, as festas em louvor ao nosso Glorioso Padroeiro foram celebradas na Igreja das Dores.
CONTO DO BALUDO
Por Silvio R. Santos
A vigarice que acomete mais vítimas em Canindé, tendo já se tornado uma “tradição” local, é o chamado “Conto do Baludo”. Pelo menos uma vez por mês, lá se vem a notícia pelo rádio de que mais uma senhora incauta (a maioria dos prejudicados) foi iludida por um ou mais desses espertalhões. De início, não atinei o porquê de “baludo”, mas está no Aurélio, vem de bala, aquela mesma expressão da música do Zeca Pagodinho: “bala na agulha”, e, por conseqüência, trata-se daquele que está endinheirado, dinheiroso, rico. O canalha que pratica esse lance age por um tipo de contaminação psicológica. Ele procura despertar em suas vítimas o vislumbre de uma recompensa, que ele, “o baludo”, surgido repentinamente da afobação das ruas, cheio de lindas intenções, poderia propiciar a alguém que um grande favor lhe teria prestado. Como se a generosidade fosse uma característica daqueles sem preocupações monetárias, afinal rico não roubaria, por carecer dessa necessidade. Tudo começa com um documento frio que o golpista derruba displicentemente ao alcance da sua presa. Geralmente é um cheque de valor considerável. A seguir vem o “achamento” por parte do bom cidadão desprevenido, que procura devolvê-lo ao dono descuidado. Pelo que se ouve no noticiário, aí começa a relação entre vítima e algoz. Este, o baludo, se mostra muito agradecido pela devolução e propõe ao novo amigo uma recompensa por tamanha honestidade. Veja-se que estão em jogo as mais nobres virtudes humanas, sob essa pele é que a raposa cativa o coelho para o próximo bote. Tudo indica que esses estelionatários ficam de olho durante um bom tempo, observando todos os passos de quem pretendem enganar, pessoas geralmente idosas, que acabam de receber algum empréstimo. E a mutreta comumente é praticada dentro de agências bancárias, logo após o saque! O que causa estranheza é que não existe inovação nessa prática. Sempre o mesmo princípio é aplicado com êxito inclusive de impunidade. Às vezes não, noticiou-se que na vez mais recente o papo furado parece não ter sido capaz de total convencimento. A recompensa seria uma sandália que a pessoa que achou a letra ganharia pela nobre devolução ao repentino perdedor. Um dos comparsas pediu para segurar a bolsa da senhora, enquanto o outro iria pegar o brinde prometido, explicando que era uma garantia! Dois mil e quinhentos reais ouviam perplexos toda essa conversa. Aproveitando o torpor de sua vítima, o larápio arrancou-lhe a bolsa das mãos, sumindo-lhe para sempre no horizonte infernal das boníssimas intenções e da possibilidade de lucro sem esforço.
Romeiros de São Francisco