A LITERATURA EM CANINDÉ
A literatura canindeense apresenta-se, principalmente, através da história local, em duas tendências paralelas, porém não adversas. O cordelismo com fundadores em que cabe destacar a presença imorredoura do patriarca Raimundo Marreiro e a vertente, que por falta de outra melhor denominação, poderia ser chamada de clássica, em que se torna obrigatória a menção a Cruz Filho, príncipe dos poetas cearenses. Assim dito, como classificar os textos de alta qualidade literária produzidos por Francisco Magalhães Karam, um conhecedor engajado na história do município e pesquisador da literatura popular. Seus artigos publicados na imprensa local e estadual são exemplo de estilo sóbrio e merecem um dia ser recolhidos em volume. Assim como o memorialista Martins Capistrano com sua ficção em benefício do espiritismo. Poetas como J. e Clóvis Pinto que alcançaram êxito na glosa e hinário religioso, e ainda hoje são lembrados. No século passado, uma geração espontânea de versejadores e alguns raros prosadores aglutinaram-se em torno do periódico estudantil “Horizonte da Cultura” no colégio estadual Paulo Sarasate, o que resultou na produção de sonetos melosos (perdoai) e rimas de cordel. Seus redatores sofreriam posteriormente a severa seleção da vida real, para comprovar o batido chavão de que todo mundo é poeta quando jovem. Como agitador cultural de praticamente todas as artes, nesse período, Laurismundo Marreiro marcaria época por sua verve e irreverência em alguns versos bissextos. Em 1991, após uma aguerrida campanha de autores locais junto a alguns raros mecenas, ocorre a insólita publicação de uma antologia de poemas no Piauí, da qual participam J. Nilton. Jota Batista, Celso Góis, Arievaldo Viana e Silvio R. Santos. Ensina Sartre que escritor é aquele que escreve e tem livros publicados, não o que possuiria o potencial de escrevê-los. Portanto, diga-se logo, num apanhado incompletíssimo, cá sejam mencionados “Concerto de Poemas sem Conserto” (1999) de Celso Góis Almeida “Baú da Gaiatice” (1999) e “São Francisco de Canindé na Literatura de Cordel” (2002) de Arievaldo Lima, “Os Endividados”, romance de Erivaldo Façanha, “Viagem pela História de Canindé”, ensaio histórico-iconográfico (2003) “Histórias de Nossa Terra e de Nossa Gente” (2009) crônicas de Augusto César Magalhães Pinto e padre Neri Feitosa com inúmeros títulos sobre a história local. A literatura de cordel é pródiga em autores em Canindé: Natan Marreiro, Gonzaga Vieira, Pedro Paulo Paulino, Vidal Santos, Gilvandias, Klévisson Viana, Celso Góis Almeida, Arievaldo Viana e outros estão no auge de sua produção, com inúmeros títulos publicados. Menções mais detalhadas a autores e obras poderão ser encontras nas páginas de cada autor.
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