Canindé tem vasta tradição no campo da música. No tempo dos frades capuchinhos, final do século XIX foi criada uma orquestra e posteriormente uma banda de música que teve como regente, dentre outros, o saudoso maestro João Sobral. Segundo nos informa o radialista Tonico Marreiro, a banda da Casa de São Francisco desapareceu com a morte do maestro João Sobral. No dia 08 de Maio de 1960, o ex-músico da Banda do João Sobral - Zé Ratinho, (tocava clarinete), fundou a Banda "Alvorada Mariana", que, embora pertencente a Congregação Mariana de Canindé, teve substancial ajuda financeira de Cesar Campos e Joaquim Magalhães Filho, com apoio de Auton Cordeiro (Presidenete da Congragação) e a perserverança incrível do Jota Ratinho. Fui musico fundador da Bandinha, tocando inicialmente bombardino, e, depois, trombone. O saudoso maestro J. Ratinho é autor da melodia do hino de Canindé, que tem letra de Manoel Messias Freitas.
No início da década de 1970, influenciados pela época dos grandes festivais de MPB, foi criado o FEMUCA – Festival da Música Canindeense, que revelou grandes talentos como Mascotte, Assis Vieira, Celso Góis, Beta, Jota Batista, Maurício Cardoso, Chico Walter, Milmo Félix, Myrza Uchoa, dentre outros. Composições como “Rosa” (de Beta e Diassis) e Ana Paula (de Brasil e Fernando Filho) são lembradas até hoje. Numa das últimas edições desse Festival, a grande vencedora foi o forró-brega “Lata das pratas”, da autoria de Raimundo Paz, o que gerou uma infindável polêmica.
Já no final da década de 1990 foi realizado um festival de Música Brega, que teve como destaque as canções ‘Pãozinho de Amor’ e “Dama Leviana”, esta última com letra de Pedro Paulo Paulino e melodia de Jota Batista. Temos grandes instrumentistas e solistas de chorinhos, principalmente violonistas e sanfoneiros, dentre os quais destacam-se Filomeno, Dedé Fabiano, Chico Dentão, Hildebrando do Acordeón, Edílson do Salitre e Didi dos Brasas do Forró. Canindé também teve a tradição dos conjuntos de baile, desde os tempos de Chiquinho Cardoso, Irmãos Carloto, Banda Lua Banda e finalmente a Banda Outros Toques que é uma referência nos bailes ligados aos anos 60-70.
Atualmente, o poder público investe milhares de reais em shows de bandas como o “Chiclete com Banana” enquanto os músicos locais vivem no ostracismo, sem qualquer incentivo do poder público para realização de espetáculos musicais. É uma política errada que só contribui para o enfraquecimento da cultura local.
Banda de Mísica Maestro J. Ratinho (1970)
Banda de Música Maestro Sobral